Postalis tem R$ 127 milhões em ações das ‘X’
A crise no império de Eike Batista deve afetar o resultado financeiro do fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis. Com patrimônio de R$ 7,68 bilhões e um déficit de R$ 985 milhões em conta nos últimos dois anos, por conta da elevação da expectativa de vida de associados e a queda dos juros, o fundo concentrou cerca de 20% de suas aplicações em Bolsa em papéis das empresas do grupo EBX. O Postalis aplica 7,98% do seu patrimônio em ações, o equivalente a R$ 613 milhões. E as empresas de Eike respondem por R$ 127,5 milhões.
A atual administração do Postalis, décimo quarto maior fundo de pensão do país, defende sua gestão. Em nota, diz que a decisão de investir nas empresas do grupo EBX foi de um gestor terceirizado, e não da direção do fundo. “O gestor optou pelo investimento por levar em consideração premissas que indicavam ser aquele um bom investimento à época (setembro de 2011)”, diz o texto, sem identificar o gestor. O fundo alega ainda que as possíveis “perdas” só poderiam ser consideradas se o gestor, contratado por ele, tivesse vendido as ações em período de baixa — o que, no jargão do mercado, significa “realizar o prejuízo”.

Comportamento das ações 'X'
O fundo acrescenta que existe um “horizonte” de alta para o investimento, que foi feito visando um retorno de longo prazo. Para isso, cita que as empresas de Eike, como a MPX, onde está investido a maior parte dos recursos, estão sendo capitalizadas “o que representa um indicador positivo”.
Outros fundos estão muito pouco expostos ou não têm participação nas empresas do grupo EBX. O Petros, dos empregados da Petrobras, informou que não tem investimentos nas empresas. Procurada, a Funcef, ligada à Caixa Econômica Federal, disse que não revelaria os dados, porque são informações sigilosas e podem expor a entidade a riscos de perdas.
— Eles (o Postalis) deveriam ser mais conservadores. Esse tipo de investimento é para quem tem apetite por risco, o que não é o caso dos fundos de pensão — disse Fabio Gallo, professor de finanças da FGV.
Esta não é primeira vez que o Postalis erra na estratégia de aplicação de seus recursos. O fundo investiu R$ 135,85 milhões no Banco BVA, que teve decretada sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central no mês passado. Do total aplicado, apenas R$ 22,14 milhões que haviam sido colocados em títulos de renda fixa foram resgatados antes da liquidação. O restante (R$ 62,8 milhões em fundos de investimentos e R$ 50,91 milhões em letras financeiras) corre o risco de virar pó. O fundo diz que está aguardando o desdobramento do processo de liquidação para definir sua estratégia enquanto credor.
Fonte: O Globo
Posted on: Principal | Tags: Without tags











