CSN tem prejuízo de R$ 615 milhões no segundo trimestre

SÃO PAULO – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teve prejuízo de R$ 615 milhões no segundo trimestre de 2015, frente a um lucro líquido de R$ 19 milhões de reais no mesmo trimestre do ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 801 milhões, queda de 39% ante o segundo trimestre de 2014.

As vendas de aço ficaram praticamente estáveis, com variação negativa 0,2%, para 1,261 milhão de toneladas, frente ao período de abril a junho de 2014. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, houve queda de 10% no volume vendido.

As vendas para o mercado interno representaram 60% do total, queda de 13 pontos percentuais na mesma base de comparação. Já as vendas de subsidiárias fora do Brasil subiram 11 pontos no comparativo anual, assumindo participação de 36% no total comercializado pela companhia.

Apesar disso, a receita líquida recuou 9% sobre o segundo trimestre do ano passado, a R$ 3,687 bilhões, pressionada pela queda de 17% no volume vendido de minério de ferro, que caiu para 5,987 milhões de toneladas no segundo trimestre.

A empresa terminou junho com dívida líquida de R$ 20,8 bilhões, o que representa elevação de 24% sobre igual período de 2014 impulsionado pela desvalorização do real ante o dólar. A relação dívida líquida sobre Ebitda disparou a 5,61 vezes ante 2,71 vezes em junho do ano passado e 4,76 vezes ao final de março deste ano.

CSN PRETENDE VENDER ATIVOS

A empresa contratou bancos para auxiliá-la na venda de uma série de ativos não essenciais nos próximos meses e está perto de concluir negociações para alongamento de dívidas que vencem em 2016 e 2017, afirmaram executivos da empresa nesta quinta-feira.

Segundo o diretor de Relações com Investidores, Gustavo Henrique de Sousa, o alongamento da dívida dos dois próximos anos serve para dar “tranquilidade” para a companhia vender os ativos, depois que o nível de alavancagem da empresa ao final de junho chegou a 5,6 vezes a dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Durante teleconferência com analistas, os executivos da empresa não deram detalhes objetivos sobre o montante que a CSN pretende levantar com a venda de ativos para redução do nível de endividamento, nem quando ocorreria a primeira venda. Entre os alvos de venda mencionados há meses pela empresa está a participação acionária na rival Usiminas e o terminal de contêineres Sepetiba Tecon, no Rio de Janeiro.

Para destacar o comprometimento da companhia em redução da alavancagem aos analistas, o presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, fez uma aparição rara durante a teleconferência e afirmou que a empresa vai “desmobilizar ativos periféricos” e que já contratou “bancos que vão nos auxiliar nessa proposta”.

Segundo analistas do Itaú BBA, 50% da dívida da CSN está denominada em dólares e, por isso, a contínua desvalorização do real deve colocar pressão adicional sobre a alavancagem da empresa, que deve continuar crescendo.

De fato, a grande preocupação dos analistas na teleconferência envolveu a situação de endividamento da CSN, que tem vencimentos de R$ 24 bilhões nos próximos cinco anos.

O diretor-executivo da empresa, Paulo Rogério Caffarelli, afirmou que a CSN vai “conviver durante algum tempo com alavancagem acima do ideal”, mas que a estratégia de alongar as dívidas que vencem em 2016 e 2017 dará tempo para a venda de ativos sem atropelos e que os recursos dessas vendas serão destinados para pagamento de dívidas mais caras.

— Nosso foco agora é 2016 e 2017 e temos praticamente tudo readequado. É o prazo que precisamos para termos um grande volume de desinvestimento e o fruto desse desinvestimento vai pagar operações mais caras. Estamos confortáveis neste sentido — disse Caffarelli.

A expectativa da CSN é de investimento de R$ 1,3 bilhão este ano e de R$ 1,5 bilhão em 2016. Em 2014, o investimento da empresa somou R$ 2,24 bilhões.

A companhia pagou R$ 549 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio no primeiro trimestre, quantia que caiu para R$ 3 milhões no segundo trimestre. Caffarelli afirmou que diante da urgência em redução do endividamento, “a questão dividendo não está na nossa agenda”. A empresa tem reduzido os pagamentos desde pelo menos 2012, quando distribuiu R$ 1,2 bilhão aos acionistas.

As ações da CSN despencavam mais de 8% às 12h52, enquanto o Ibovespa mostrava baixa de 0,7%. Segundo analistas do Bradesco BBI, apesar do valor da ação ter caído 50% desde abril, “ainda não vemos isso como uma oportunidade de compra dado o risco representado pela alavancagem”.

Além da venda de ativos e negociação para alongamento de dívidas, a CSN também está internalizando caixa de subsidiárias no exterior, aproveitando a alta do dólar. A companhia terminou junho com caixa de R$ 11,1 bilhões, queda de 7% sobre um ano antes.

— Ao longo dos anos a empresa manteve posição de caixa relevante no exterior e é um bom momento internalizar isso agora — afirmou Caffarelli.

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