Chapa da CSN vence na CBS

O receio do presidente da Associação dos Participantes da CBS (APCBS), Áureo Braga, com o voto por procuração na eleição para os representantes dos associados na CBS Previdência, fundo de pensão dos funcionários da CSN, se cristalizou. No processo iniciado às 8h30min da sexta-feira (15) e concluído somente por volta das 5 horas do dia seguinte, quando os votos terminaram de ser contados, a chapa 2, liderada pelo gerente da Namisa, Luiz Carlos Gomes Beato e apoiada pela CSN, saiu vencedora. O resultado apontou 5.060 votos para a chapa 2, contra 3.851 para a chapa 1, liderada por Áureo. A chapa vencedora teve cerca de 4,7 mil votos por procuração.

Abatido, mas tentando superar o golpe, Áureo Braga criticou a forma como a votação aconteceu, no antigo Escritório Central da CSN, na Vila. No início do processo, era preciso que os associados esperassem, mesmo apresentando contracheque e comprovante de identidade, a confirmação de seus nomes numa lista. “Por causa disso se formou uma grande fila e muitos associados, sobretudo os mais idosos, não quiseram esperar”, afirmou. O Corpo de Bombeiros da CSN também não permitiu que uma outra entrada fosse aberta para agilizar a votação, alegando que haveria risco para os associados em caso de incêndio.

– Mas o pior é que, por volta das 17 horas, começaram a chegar os gerentes da CSN, com milhares de procuração e ficaram votando até de madrugada. Não sei se isso é correto, vamos avaliar – disse o presidente da APCBS na manhã de sábado. “Lutar contra o poder não é fácil. Eles usam de todas as artimanhas”, acrescentou.

Conselheiro da CBS há 16 anos, Áureo se disse apreensivo com o futuro da CBS: “O conselho está agora constituído somente de pessoas eleitas pelo patrocinador”. Por isso mesmo, acredita ele, o trabalho da APCBS será ainda “mais árduo”.

– Pela legislação qualquer participante pode pedir informações ou documentos à CBS. Vamos trabalhar com mais dificuldades, mas talvez também com mais eficácia, pois estando dentro do conselho temos algumas limitações impostas pelo código de ética. Creio que será apenas mais trabalhoso para nós – avaliou.

O presidente da associação se mostrou preocupado também com os planos antigos, porque não haverá nenhum representante deles no Conselho Deliberativo. “Quem os representava era eu, como fiz no caso dos R$ 510 milhões”, ressaltou, se referindo ao valor de uma dívida da CSN com a CBS que a companhia tenta não pagar. No ano passado, valendo-se da maioria no conselho, a CSN conseguiu aprovar uma modificação no contrato assinado em 2002, pelo qual tem de pagar R$ 543 milhões. A dívida caiu para R$ 33 milhões. A APCBS recorreu à Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) e conseguiu suspender o “perdão”, mas a CSN está se mobilizando para que a alteração seja efetivada.

Já antevendo, como disse em entrevista ao FOCO REGIONAL na edição 610, que este ano a CSN jogaria mais pesado na eleição – já que tentou eleger uma chapa em 2011, quando não conseguiu – o candidato da chapa 1 fez uma campanha bem mais ampla do que dois anos atrás. Na sexta-feira, muitos trabalhadores da ativa foram incentivados a ir votar. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Renato Soares, também conclamou os trabalhadores e aposentados a votarem na chapa liderada por Áureo, usando o caminhão de som da entidade. A CSN, no entanto, valendo-se do permitido voto por procuração para quem não mora nas cidades limítrofes de Volta Redonda e do pessoal que agregou ao seu grupo de funcionários, com os da mineradora Namisa, saiu vencedora da batalha.

Fonte: Foco Regional

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